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O desafio: Axis com Arma curta!

por Walter K.


Esportista com arma curta de longa data, optei nesta caçada pelo cervo axis pela dificuldade da caça, já que haviam me alertado sobre a sua visão; pela imponência do animal e pela beleza do troféu.


Em uma manhã de sábado chuvosa, após muitos dias com chuva forte, seguimos com o nosso guia de caça Jorge Noya e seu amigo Marcelo para Dolores na província de Buenos Aires - Argentina. Jorge confidenciou no caminho alguns de seus medos: não conseguirmos chegar a estância devido às condições da estrada; atolarmos; não acharmos os cervos; eu não acertar com a "pistolinha" (estava usando nesta caçada uma Thompson Contender calibre .30/30 Winchester com luneta Bushnell Trophy 2-6X, munição recarregada pelo meu amigo José Joaquim D'Andrea Mathias com pontas Speer Spire Point de 165 grains e pólvora CBC 102).


Após apanharmos o simpático dono do campo Las Redondas (Daniel) e termos deixado as nossas coisas na sede, a primeira surpresa. A menos de 1000 metros, já estávamos vendo a primeira manada de cervos axis, com um bom macho entre eles. Jorge coça a cabeça e diz: "estão todos em campo aberto. Precisamos ver como vamos chegar perto. A que distância mesmo que acertas com este negócinho?" Deixo claro que não gostaria de tentar um tiro a mais de 100 metros já que com a adrenalina a solta tudo fica mais difícil em uma arma segura só pelas mãos. Começamos então o jogo de esconde/esconde. A cada manada de cervos que víamos e que tivesse um bom macho (e não foram poucos...), tentávamos a aproximação. E, eles sempre fugindo para mais longe, em campo aberto.


Após mais de 3 horas, Jorge acha um macho que o faz assobiar. Me diz: "Walter, precisas pegar este". Nova tentativa de aproximação. Com pouco mais de 100 metros, resolvi tentar. Aumentei a luneta para 5X, apoiei bem na mochila e comecei a pressionar o gatilho. Exatamente na hora do disparo o macho resolve andar. E, com o tiro, agora a correr, diretamente para o matagal atrás dele. Começamos a nos aproximar lentamente deste, vendo que estávamos sendo observados por muitos olhos. Ao procurar com o binóculo, vimos a galhada do macho entre as árvores, atrás de um macho jovem. Diminuí a luneta para 2,5x, apoiei e fiquei apontando para o macho pedindo intimamente que o macho jovem saísse da frente. Parece que ele escutou pois deu dois passos, suficientes para deixar o macho à descoberta. Antes que visse onde tinha acertado, já escutava os urros de felicidade de Jorge e o axis estava no chão. Marcelo e Daniel se aproximaram exultando pelo belíssimo troféu que havíamos logrado de pegar.
Depois das fotos sob chuva, que ia e voltava durante todo o dia, resolvemos voltar à sede para nos trocar, observando mais alguns destes belos animais no caminho. Para quê! Em um fosso aparentemente raso, atolamos feio. Porém, estávamos todos leves e alegres pois, segundo Jorge, dos seus medos, este era o mais fácil de resolver já que sua pick-up bem equipada possuía um guincho elétrico que nos tirou da enrascada. Dos seus medos, segundo ele, o único que não teria jeito seria eu não acertar com a "pistolinha".


Espero que esta narrativa sirva de incentivo aos que apreciam a caça a se animarem a aumentar o grau de dificuldade e passar a caçar com arma curta. Afinal, todos sabemos a emoção que está envolvida na aproximação. E, com armas curtas, esta tem que ser maior…

Artigo publicado originalmente na revista Vida Salvaje, Argentina.