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Sniper, o atirador de elite

por José Joaquim D'Andrea Mathias


Durante o século 20, o soldado chamado de “sniper” tornou-se símbolo de atirador de elite, sendo respeitado pelos seus camaradas e temido pelos inimigos. Nascido das necessidades da dura realidade da guerra, o sniper foi gradativamente alçado à condição de elemento especializado, pronto para ser empregado em condições de extremas dificuldades, capaz de causar grandes danos ao moral e a organização do inimigo. Muitas são as histórias sobre as origens do soldado sniper. Alguns creditam aos ingleses os primeiros ensaios no sentido de treinar um soldado para “caçar” inimigos a longas distâncias. Outros afirmam que foram os norte-americanos que criaram o conceito de alvejar alvos fora da linha principal de combate. A versão mais aceita indica os EUA como os primeiros a empregarem snipers em combate, visto que a Guerra Civil norte-americana foi a primeira guerra de estilo moderno onde esse tipo de soldado teve ação comprovada. Mas, efetivamente, os ingleses foram os primeiros a se interessarem pela especialização desse tipo de soldado.


Na sua origem, o termo “sniper” surgiu inicialmente no século 19, junto ao Exército inglês estacionado na Índia, país onde a caça do pássaro snipe (o nosso maçarico) era uma prática muito popular entre os oficiais. O snipe é um pássaro pequeno e bem ágil, sendo um alvo muito difícil de se atingir, mesmo quando ele está caminhando no chão a procura de alimento. Consta a lenda que, quando os soldados ingleses treinavam em seus estandes de tiro, ao fundo ficavam a passear inúmeros snipes. Assim, após treinar em seus alvos de papel, os soldados passavam a testar sua destreza tentando acertar um dos rápidos snipes pousados no chão. Aquele que conseguia a “proeza” recebia o título de “sniper”, ou seja, aquele que é tão bom em tiro que acerta até um snipe. Seja ela falsa ou verdadeira, essa versão pode ter base nas dificuldades de se caçar o pequeno e veloz snipe em vôo. Com o tempo, o termo “sniper” começou a tomar o significado daquele atirador cuja habilidade de tiro e proficiência na arte de caçar o fazia se destacar entre todos os demais.


Na Guerra de Independência dos EUA, os atiradores de elite foram usados em diversas batalhas, com resultados que influenciaram o andamento dos combates. Em 7 de outubro de 1777, o atirador Timothy Murphy, pertencente ao grupo conhecido como Kentucky Riflemen de Morgan, atingiu mortalmente o general britânico Simon Fraser. Murphy declarou que realizou seu disparo de uma distância de mais de 450 metros, fazendo uso do famoso fuzil tipo Kentucky. O general Fraser estava liderando uma ação militar contra os colonos rebelados na região de Bemis Heights, no estado de Nova York. Com a morte do general Fraser a ação militar fracassou, resultando num impacto direto em toda a campanha, forçando a rendição dos britânicos. A batalha de Saratoga foi considerada um dos pontos de reviravolta na chamada Guerra da Independência.


Durante a Guerra Civil dos EUA (de 1862 a 1865), o general Hiram Berdan foi um expoente na arte dos atiradores de Elite, ajudando a aperfeiçoar as técnicas e equipamentos então empregados. Como comandante dos 1o e 2o Grupamento de Sharpshooters, o controverso general Berdan equipou e treinou seus homens para fazerem o trabalho de atiradores de elite, com grandes efeitos nas diversas batalhas em que participaram. Esses dois grupamentos foram responsáveis por eliminar mais soldados inimigos que qualquer outro grupamento pertencente ao Exército da União.


Nessa época, o termo utilizado para atiradores de Elite era “sharpshooters”, ou atiradores de Sharps, visto que esse fuzil, em calibre .52, era o preferido para emprego a longas distâncias. Nos EUA, “Sharpshooters” ainda é um termo que nomeia um atirador de grandes qualidades e talento, embora o termo Sniper seja atualmente o mais popular e conhecido para designar um atirador de elite.

Origens militares
Durante o dramático impasse das trincheiras na I Guerra mundial, os ingleses se defrontaram com atiradores alemães equipados de fuzis especiais e lunetas de precisão. O efeito devastador de ter um atirador de elite atuando na zona de guerra afetou tanto o moral como a capacidade de organização dos ingleses. A partir desse momento, o termo “sniper” foi então aplicado e se popularizou, atribuindo a esse soldado especializado uma aura de mística e temor. Os snipers alemães forçaram o Exército inglês a aplicar as mesmas técnicas. Sob a liderança do major Hesketh-Pritchard, um curso de snipers foi criado, o Army School of Sniping, Observing and Scouting. Ao final da guerra, os ingleses estavam em pé de igualdade com os alemães na arte dos snipers.
Após a I Guerra, a ênfase no trabalho do sniper decaiu em todos os exércitos, com exceção da Rússia e da Finlândia, dois paises que viviam em constante estado de tensão. Em 1930, os russos começaram a treinar e equipar atiradores de elite para o seu Exército vermelho, sendo os primeiros a formar equipes de dois homens. Próximo da II Guerra Mundial, em 1939, a Rússia invade a Finlândia, provocando a chamada “Guerra de Inverno”, a qual durou 105 dias e causou a morte de 1.000.000 de soldados soviéticos e 25.000 finlandeses. Embora a Rússia estivesse com um excelente corpo de atiradores de elite, os snipers finlandeses eram muito mais treinados e eficientes, causando a morte de centenas de soldados e desbaratando a organização soviética.


Durante os 105 dias de combate na Guerra de Inverno, o sniper Suko Kolkka teve creditado a seu favor a morte de 400 soldados soviéticos. Usando um fuzil Mosin-Nagant com miras metálicas, Suko freqüentemente levava a guerra para a retaguarda das linhas soviéticas, causando muito medo e frustração, visto que as áreas já tomadas pelos russos deveriam ser supostamente seguras. Caçado constantemente pelos soviéticos, ele sobreviveu a todos os esforços para eliminá-lo. Sukko chegou a matar, com um único tiro de mais de 550 metros de distância, o sniper enviado para caçá-lo, depois de um duelo de perseguição de vários dias. Suko Kolkka exibiu a dura determinação e a habilidade que mantiveram a Finlândia uma nação soberana, até mesmo depois da sua derrota inevitável. É dito que um general soviético teria comentado amargamente ao término da Guerra de Inverno: "Nós ganhamos 22,000 milhas de território finlandês. Há o bastante para enterrar nossos mortos".


Durante a II Guerra Mundial, praticamente todo exército de expressão montou seu corpo de atiradores de elite. Novamente, os alemães, os russos e os finlandeses se destacaram na arte de sniper, embora as técnicas, os equipamentos e os resultados variassem muito. No entanto, as bases para o moderno sniper começaram a ser traçadas nesse grande conflito. A II Guerra Mundial foi o grande conflito para os snipers. Em nenhum outro momento o trabalho de atiradores de elite foi tão requisitado e em nenhum outro conflito morreram tantos combatentes sob as miras dos snipers. Na tabela que acompanha este artigo estão listados os snipers mais eficientes da II Guerra Mundial, incluindo o nome de uma atiradora russa, uma das três que atuaram no exército soviético. O Sniper de maior sucesso de todos os tempos, o finlandês Simo Häyhä, somente interrompeu sua carreira militar em 1940, na Guerra de Inverno, quando foi ferido na face por um tiro recebido de outro Sniper russo.


Na Guerra da Coréia, o Exército e o Corpo de Fuzileiros dos EUA logo perceberam que não bastava ter um grupo bem treinado de snipers. Era igualmente importante uma linha de comando que aproveitasse as informações recebidas dos snipers e que aplicasse as experiências conquistadas por esses soldados nos campo no treinamento de novos snipers. O Vietnam, o conflito em Granada e a Guerra do Golfo vieram consolidar a imagem do sniper moderno, munido de armamento e treinamento especial. Também se consolidou o conceito de que esse soldado especializado é um importante elemento para coleta de informações e agente perturbador das linhas de retaguarda inimigas. Atualmente, a figura do sniper, o soturno atirador solitário, ganhou grande destaque no imaginário popular, além de conquistar o “status” de ser um componente permanente em qualquer exército de expressão ao redor do mundo.

O sniper urbano
A partir dos anos 70, com o aumento das atividades terroristas, diversos paises formaram grupos de snipers urbanos para contra atacar em ações de risco, onde estivessem envolvidos seqüestradores e reféns. Muito do conhecimento apreendido no treinamento dos snipers militares foi aproveitado para a formação dos atiradores de elite urbanos. Estes, em geral, são escolhidos dentre os membros das forças policiais e recebem orientação específica para lidar com situações particularmente críticas. Também se faz uso de ex-militares com experiência em sniper para a formação de grupos especiais de ação urbana. A totalidade dos grupos de ação especial, tipo SWAT (EUA), GS-G9 (Alemanha), etc., tem em seus quadros vários times de snipers treinados especificamente para o trabalho urbano.


A missão primária de um atirador sniper, seja ele militar ou policial em área urbana, é proporcionar uma cobertura de disparo preciso à distância em alvos selecionados e em situações específicas. A missão secundária de um Sniper é coletar informações privilegiadas e estratégicas da área de sua cobertura, repassando-as para a central de comando. Por esse motivo é que o Sniper deve ser sempre o primeiro elemento de uma força policial a chegar numa área de ação. Algumas forças policiais nos EUA e na Europa mantém seus snipers permanentemente em estado de atenção, com o equipamento completo dentro de seus carros, prontos para a ação imediata. E por qual motivo é necessário que o Sniper chegue primeiro numa cena de seqüestro ou cerco policial? A resposta é o controle da situação e a coleta de informações para a base de comando. O Sniper, ao se posicionar num ponto que possa cobrir a área de ação, é capaz de manter um controle sobre os movimentos de qualquer pessoa dentro da área de sítio e fazer com que seus comandantes fiquem abastecidos de informações sobre o estado da situação.


Uma equipe básica de sniper urbano é composta do atirador e de seu spotter (observador). O Spotter é outro policial também armado de fuzil, mas munido de binóculos e mais preparado a orientar o fogo de seu companheiro e coordenar a coleta de informações. Numa situação de cerco policial é interessante contar com duas ou três equipes de snipers triangulando a área de sítio, pois assim o posto de comando estará sempre suprido de informações e a área em constante observação e controle.


Quais são as qualidades exigidas na seleção de um elemento para atuar como um sniper? Os candidatos para o trabalho de sniper precisam ser escolhidos após cuidadosa seleção. O rigoroso programa de treinamento, militar ou policial, o estado de tensão e a responsabilidade exigida em ação requerem alto grau de motivação e habilidade de responder corretamente a uma variedade de situações de risco. Em síntese, os requisitos procurados num aspirante a sniper são os seguintes:


Proficiência/perícia – O aspirante a sniper deve possuir extrema qualidade de tiro, seja em armas curtas ou longas. De preferência, que seja praticante de modalidades de Tiro esportivo ou caçador, onde suas habilidades serão postas à prova em ações reais e sobre certo grau de tensão.
Condicionamento físico – O sniper muitas vezes é envolvido em operações que lhe deixam pouca oportunidade para dormir, com escassez de comida e água, forte calor, imobilidade por longos períodos de tempo e constante tensão muscular. Por esses motivos, o candidato deve possuir um excelente condicionamento físico, que mantenha o controle muscular, reflexos e o nível de histamina. Musculação e esportes coletivos são boas formas de manter o corpo em excelente condicionamento para o trabalho de sniper.
Visão – Os olhos de um sniper é sua mais importante ferramenta. Assim, um sniper deve ter visão 20/20 ou olhos que possam ser corrigidos para 20/20. No entanto, dependendo do grau de correção necessário, os óculos pode ser um impedimento ao aspirante a sniper, pois podem quebrar ou serem perdidos em ação. Daltônicos estão totalmente descartados do trabalho de sniper, visto que estão impedidos de distinguir certas nuances de cores e assim podem não visualizar corretamente o seu alvo.
Tabaco/Álcool – Um sniper é um profissional com uma atividade específica, atividade esta incompatível com o fumo e a bebida. O tabaco e o álcool embotam as habilidades de um atirador e comprometem seu desempenho quando em ação. Para um fumante, ficar horas em estado de atenção sem poder fumar pode causar irritação e nervosismo, afetando suas ações numa situação de sítio. O álcool, embora possa ser aceito em pequenas doses fora do expediente de trabalho, afeta a coordenação motora e também causa um estado de irritação ou sonolência. Não se procura um homem santo para o trabalho de sniper, mas a moderação é uma condicionante primordial.
Condição mental – Dado à natureza de sua função, um sniper deve possuir um bom equilíbrio mental. Estudos psicológicos e acompanhamento de um psicólogo durante a seleção possibilitam aprimorar a escolha de candidatos com um bom condicionamento mental. Disciplina, autocontrole, capacidade de iniciativa, espírito de liderança e capacidade de rápido discernimento são os itens procurados nos candidatos ao papel de sniper.


Para poder desempenhar bem o seu trabalho, o sniper deve contar com sua inteligência e com o conhecimento técnico em diversos assuntos. Esses assuntos são, principalmente: Balística (interna, externa e terminal), Munições - tipos, características e eficiência, Óptica - conhecimento e capacidade de ajustes em equipamento óptico, Rádio - trabalho com rádio e conhecimento de seu linguajar, Cartografia - conhecimentos de navegação e mapeamento observação e ajuste de campo para artilharia (sniper militar), Inteligência militar - para observação e repasse de informações e Proficiência logística - identificação de uniformes, equipamentos, armamentos, explosivos e artefatos (sniper militar).


Os conhecimentos necessários para a formação de um sniper urbano diferem em alguns pontos do treinamento para um sniper militar. Em primeiro lugar, o sniper urbano não tem a missão primária de eliminar inimigos, pois a situação de sítio dentro de uma cidade não tem as mesmas características encontradas numa zona de guerra. O que se deseja, num cerco dentro de uma cidade, é prender um eventual criminoso sem precisar matá-lo. Atirar em suspeitos é a última opção que um grupo de snipers deve ser obrigado a fazer. Porém, quando existem reféns sob ameaça, a missão primordial do sniper é dar total proteção a estes inocentes, mesmo que isso signifique a morte dos agressores. Por esse motivo é que o controle mental e psicológico é de vital importância no treinamento do sniper urbano.


Outra diferenciação em relação ao sniper militar é a área de atuação do sniper urbano: as grandes cidades. Para atuar em regiões urbanas não é necessário o emprego de complicados sistemas de camuflagem. Também, as distâncias de tiro são mais próximas, raramente passando de 100 ou 200 metros. Assim, os conhecimentos sobre balística, paralax, ventos e luminosidade são mais simplificados, pois o trabalho urbano possui outras exigências. Também se solicita pouco do sniper urbano em termos de conhecimentos de cartografia, embora seja importante o manejo de padronizações topográficas, de forma a poder informar detalhadamente ao comando sobre a situação de uma área de sítio.

Armas e componentes
Existe uma grande variedade de armamento a disposição do Sniper. Como cada país possui armas e munições específicas para o atirador de elite, fica quase impossível escolher qual é a combinação mais interessante. Os alemães fazem uso do famoso e caro HK PSG-1 em 7,62 mm NATO; os russos ainda trabalham com o Dragunov (SVD-63) em 7,62 x 54 mm R; a NATO escolheu o fuzil Walther 2000; os israelenses usam o seu Galil modificado e a Iugoslávia tem preferência pelo M-76 em 7,92 x 57 mm. Existem ainda os fuzis em calibre .50 BMG e 14,5 mm, tais como o Barnett e o GEPARD M3. Porém, armas em .50 BMG são muito pesadas e com munições poderosíssimas, mais indicadas para emprego militar a longas distâncias.


O Exército dos EUA ainda utiliza o padrão M24 como armamento principal de seus snipers. O padrão M24 é geralmente composto de um fuzil de ferrolho, em calibre 7,62 x 51 mm NATO e luneta Leupold M3a, com magnificação fixa de 10 aumentos. O ferrolho do fuzil costuma ser Remington 40X com sistema de gatilho Remington M700 modificado. O cano usualmente é um Douglas Premium com 24 polegadas de comprimento e a coronha é construída em Kevlar reforçado, com um conjunto de bipé Harris M25S montado na porção frontal. Muitas modificações podem ser feitas a partir dos componentes básicos do padrão M24. Alguns snipers trocam a luneta de 10 aumentos por outras de 4 ou 6 aumentos, dependendo do tipo de trabalho que se tem que desempenhar. Outros atiradores não fazem uso do bipé, preferindo o tiro com apoio barricado nas superfícies de seu local de ação. Contudo, em linhas gerais, o conceito de fuzil de ferrolho para o trabalho de atirador de elite ainda se mantém, graças à simplicidade do conjunto e os excelentes resultados obtidos em eficiência balística.


Como no trabalho de sniper urbano o policial pode se deparar com locais densamente habitados, algumas forças policiais norte-americanas escolhem um armamento bem diferente que o padrão M24. Geralmente, é escolhido o fuzil AR-15, em calibre 5,56 mm NATO (.223 Remington). Por possuir um projétil mais leve e delicado, o 5,56 mm pode ser empregado em situações em que uma munição mais pesada poderia resultar em excessiva perfuração ou ferimentos em reféns dispostos atrás do agressor. Por outro lado, a munição 7,62 mm NATO (.308 Winchester) é mais confiável quando se tem que dispara em agressores escondidos dentro da mata fechada ou atrás de janelas, embora se recomende que o tiro de sniper deva ser sempre direto e sem obstáculos.


As forças policiais norte-americanas tipo SWAT seguem muito da linha militar, dotando os snipers com a arma e munição padrão M24, além dos uniformes, lunetas, bandoleiras e outros acessórios militares. O Brasil costuma acompanhar a padronização norte-americana, de forma que as configurações do M24 nos servem bem para o trabalho de sniper.

Vestimentas e acessórios
Seria natural que os snipers de um grupamento especial utilizassem as mesmas vestimentas que os demais policiais membros do seu grupo. Porém, nem mesmo o Sniper militar tem um uniforme padronizado. O Sniper militar faz uso de telas de camuflagem, capas, sacos de aniagem ou qualquer outro elemento que o auxilie a se mesclar com a vegetação, disfarçando a sua presença. Cada Sniper tem liberdade para fazer sua camuflagem e escolher o seu equipamento básico, de maneira que sua aparência se difere totalmente da de outro soldado.


Atualmente, uma padronização de uniformes é contestada pelas principais forças especiais, pois se entende que o sniper é um elemento diferenciado do grupo e deve se destacar perante os membros envolvidos numa situação de sítio. Algumas forças especiais norte-americanas começaram a indicar que seus snipers usassem o mesmo uniforme militar, já que muito dos acessórios, armas e equipamentos tem a mesma origem. Posteriormente, se percebeu que o uniforme militar camuflado com desenhos de tons de verde e preto não era adequado para se usar dentro de um ambiente urbano. A camuflagem militar chamava mais a atenção do que o uniforme negro utilizado pelas forças especiais. A solução foi voltar para o padrão verde oliva, sem desenhos em verde e preto, pois a cor “lisa” é mais facilmente dissimulada no meio das construções.


Os snipers urbanos também têm preferência por usar os mesmos equipamentos ópticos utilizados pelos militares. Assim, os binóculos M19 de 7 aumentos e a luneta de observação M49 de 20 aumentos são dois elementos empregados pelo Spotter para auxiliar o Sniper na sua tarefa. Também são utilizados outros acessórios militares, tais como bandoleiras, cantis, porta carregadores, mochilas, capas de armas, botas e capacetes.


Quanto à munição empregada para o trabalho de sniper, encontramos dois panoramas: o sniper militar geralmente faz emprego da mesma munição do seu exército, enquanto a preferência para o sniper urbano se situa em três ou quatro calibres. As munições mais comuns para uso urbano são o .223 Remington (5,56 mm NATO) e o .308 Winchester (7,62 NATO), embora algumas organizações façam emprego de outros calibres, tais como o .260 Remington, o 6.5x55mm (6.5mm Swedish), o 6.5x284mm (6.5x284 Norma), o 7mm Remington Magnum e até o veterano 7.7x56mm R (.303 British).


O padrão M24, a combinação mais comum no trabalho urbano, tem por base a munição 7,62 mm NATO M118, a qual possui um projétil totalmente encamisado, de desenho “boat tail”, pesando 173 grains. Esta munição possui núcleo de chumbo antimônioso, para emprego primário contra pessoas, não se destinando a penetrar blindagens, vidros ou barreiras espessas. A precisão exigida de uma combinação de fuzil M24 e munição é uma concentração de 10 disparos em 12 polegadas à distância de 550 metros.


O sniper policial tem mais flexibilidade na escolha de munições, mas a preferência tem se repetido na excelente Federal Premium ou Match com projétil de 165 grains. Não se deve fazer muitas combinações com munições de diferentes projéteis, pois as forças policiais seguem a mesma orientação dos militares, os quais obedecem as convenções de Genebra. Desta forma, para o trabalho de sniper, seja ele policial ou militar, somente projéteis totalmente encamisados são considerados, descartando-se as munições que possuam projéteis do tipo “soft point” (ponta exposta de chumbo) ou “hollow point” (ponta oca).

Texto originalmente publicado na Revista Magnum