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Carabina BAM B30-1

por José Joaquim D'Andrea Mathias


A famosa marca brasileira de eletrodomésticos Brastemp é sempre associada à imagem de produto de qualidade, certo? Pois imagine minha surpresa ao abrir um forno de micro-ondas novo que compramos para minha casa e encontrar a etiqueta “Made in China” estampada na porta. Pois é, a China já se associa a uma marca famosa e de qualidade dentro do nosso quintal. É praticamente impossível não ver o “peso” dos produtos chineses no mercado internacional. Inicialmente oferecendo mercadorias baratas, bugigangas ou cópias “piratas”, os produtos chineses foram conquistando diversos segmentos de mercado, substituindo, inclusive, marcas e procedências famosas. Se no início os produtos eram de qualidade sofrível, agora a China tem orgulho de poder oferecer a mais ampla faixa de artigos, de produtos descartáveis a equipamentos eletrônicos de última geração e peças de foguetes.

 

Não é difícil nem estranho ver produtos tradicionais agora sendo feitos na China ou portando partes e componentes chineses. Seja no motor de uma motocicleta BMW ou nos laptops bem elaborados de alguma famosa marca japonesa, a China vem avançando no campo de produtos antes só dominados por marcas norte-americanas, européias e até mesmo brasileiras. Nos últimos 10 anos o mundo presenciou uma gradual mudança da posição da China, que mesmo sendo um país de governo comunista, passou a praticar uma política de atuação bem capitalista no mercado mundial. Aproveitando uma grande massa de trabalhadores, custos reduzidos de produção e um parque industrial desobrigado das pressões da “guerra fria”, a China se posicionou como uma grande fornecedora de produtos bem acabados e a preços sem competição.

 

Abandonando o modelo de “grandes líderes revolucionários”, que decidiam tudo, a China de hoje é governada por engenheiros tecnocratas divididos em facções políticas, que dão mais atenção para o crescimento econômico e a estabilidade. Em 1976, com a morte de Mao Tsé-tung, iniciou-se a abertura econômica da China. Sob governo de Deng Xiaoping, começou o processo de desmaoização e um amplo programa reformista. Tais reformas encaminharam o país para um maior avanço agrícola, industrial, militar e tecnológico, buscando a ampliação da eficiência sem abandonar o socialismo, subordinando os aspectos político-ideológicos ao desenvolvimento econômico. Apesar da forte participação do Estado, os chineses puderam desenvolver a produção rural familiar e abrir negócios, inseridos numa economia de mercado. Foram estabelecidos acordos de cooperação comercial com os EUA e a Comunidade Econômica Européia (CEE), ampliando as relações com países capitalistas. Os resultados econômicos foram aumento da exportação de cereais e algodão e o crescimento de produção de aço e bens de consumo.

 

No nosso mercado de Armas & Munições, basta um olhar atento para encontrar bons produtos em ótica, armamento ou acessórios de tiro. Mas o mais interessante são os produtos feitos em esquema OEM, ou seja, produtos chineses feitos oficialmente com a marca, projeto e tipologia de outras empresas. De forma simplificada, podemos dizer que OEM, acrônimo de Original Equipment Manufacturer, representa uma relação comercial onde uma determinada empresa fabrica produtos ou componentes sem sua marca e os vendem a outras empresas, que os usam para montar seus produtos ou os revendem com sua marca para o consumidor final. Grandes e tradicionais empresas de armas estão a anos fazendo uso do sistema de produção OEM. A Weatherby, por exemplo, desde os anos 1980 tem seus excelentes fuzis fabricados no Japão. A tradicional empresa alemã Böker já possui uma linha de facas e canivetes com sua marca feita inteiramente na China. A Browning há muito tempo tem suas armas montadas em outros países, tais como Portugal, Canadá e o já comentado Japão. Em alguns casos, nos paises-sede ficam apenas os escritórios da empresa ou lojas para exposição.

 

Assim como fez com centenas de outros produtos, a China fabrica partes e elementos prontos em esquema OEM para outras empresas do setor de Armas & Munições. Mas a China não está sozinha no mercado. Diversos países entraram na concorrência para garantir espaço nesse mercado, que se mostra cada vez mais subdividido. Os japoneses se destacam nas armas longas de luxo; a Turquia se firma como grande produtora de espingardas de baixo custo e os tchecos já são famosos pelas pistolas semi-automáticas de grande capacidade feitas com logotipos norte-americanos. A China tem penetração em todos esses segmentos, mas ultimamente tem dominado o mercado OEM das armas de pressão, um setor que desponta como o grande mercado do momento.

 

E é esse mercado de armas de pressão, ou armas de ar comprimido, que despertou meu interesse para produzir o presente artigo. Fazendo pesquisas na Internet e acompanhando o movimento nos fóruns de debate e depoimento dos atiradores, percebe-se o crescente interesse pelas modalidades de Tiro esportivo praticadas com armas de pressão. Além das tradicionais modalidades olímpicas, novas práticas estão trazendo “sangue novo” para os clubes de tiro, principalmente para competições do tipo Field Target e Silhuetas Metálicas. Nesse vastíssimo e interessante mercado, os produtos chineses têm destaque e facilitam a participação do atirador a custos reduzidos.

 

NOVOS ATIRADORES

Mesmo depois do resultado acachapante do referendo de 2005, o Governo brasileiro e as ONGs anti-armas não desistiram de perseguir e dificultar a vida daqueles que gostam de armas de fogo. Colecionadores, Caçadores e Atiradores vêem cada vez mais dificuldades, decretos, taxas e proibições para continuar na prática do seu esporte. Porém, uma classe de armamento ainda não é perseguida pela fúria tacanha dos anti-armas e serve de excelente porta de entrada para as modalidades de Tiro: as armas de pressão. Sofisticadas, cheia de recursos, com dezenas de acessórios e com diversos graus de potência e precisão, as armas de pressão estão ganhando adeptos e se livrando do estigma de “armas de brinquedo”. Algumas dessas modalidades de Tiro esportivo são grandes atrativos para atiradores e fabricantes de armas e acessórios.

 

Meu interesse por esse segmento foi despertado ao observar o crescente número de atiradores novos que estão praticando com muita dedicação as modalidades de Silhuetas Metálicas e o recém chegado Field Target. Em relação à prática de Silhuetas Metálicas eu já esperava a continuidade da sua popularidade, pois presenciei o início de sua implantação nas competições internacionais, desde 2000. Agora, o Field Target é que aparenta estar com o título de “febre da moda”. Muito praticado nos EUA e na Europa, o Field Target foi trazido ao Brasil recentemente e nos mesmos moldes das competições praticadas no exterior. Trata-se, em resumo, de uma prova de caça, em que grupos de atiradores andam por uma trilha dentro de uma mata, parando em posições pré-determinadas para disparar em alvos metálicos especiais. Como esses alvos estão dispostos em posições diferentes e dentro da vegetação, a competição é muito interessante e desafiadora, reproduzindo de forma “ecológica” um circuito de caça. Os alvos são de desenho especial, que desarmam quando se atinge o centro, podendo ser rearmados através de um cabo ou corda.

 

No nosso país, ao contrário de tantas outras modalidades do Tiro esportivo, os pólos de crescimento do Field Target não se deram no estado de São Paulo, mas sim nos estados de Minas Gerais e no Paraná. Alias, o Paraná foi o primeiro estado a dar um grau de oficialidade à modalidade. A Federação Paranaense de Tiro Esportivo, com sede localizada na cidade de Curitiba, Paraná, oficializou a modalidade Field Target em 04/11/2007. Além do reconhecimento do Field Target como nova modalidade de Tiro esportivo, a FPTE também estipulou naquela data as primeiras regras oficiais para competição, baseadas em regulamentos internacionais praticados a bom tempo no exterior. Esse novo status do Field Target teve grande acompanhamento dos fabricantes locais de armas de pressão e também dos importadores, que conseguem, a duras penas, trazer equipamento de qualidade para a prática da modalidade.

 

Procurando saber sobre as armas mais utilizadas em Field Target e quais fabricantes/importadores estavam comercializando aos atiradores brasileiros, me deparei com uma linha de armas feitas na China e importadas pela empresa Ar+ Artigos Esportivos. No mercado nacional já encontramos com facilidade os produtos da CBC, Urko e Rossi, além das marcas estrangeiras Gamo, Cometa e Baikal. Porém, a linha de armas de BAM, importada pela Ar+, chama a atenção pela relação de custo-benefício que apresenta, pois são produtos relativamente bem elaborados e a preços bem aceitáveis para o padrão brasileiro. Observei muitas declarações de atiradores que adquiriram armas da BAM para a prática do Field Target e que elogiavam suas qualidades de robustez, precisão e potência. Assim, em fins de 2008, fiz meus primeiros contatos com a Ar+ Artigos Esportivos, procurando saber detalhes da empresa, sua estratégia de mercado e modelos importados. Solicitei também um modelo para apresentação neste artigo, como forma de demonstrar as qualidades das armas feitas na China.

 

A Ar+ Artigos Esportivos está localizada na Cidade de Curitiba, Paraná e tem se dedicado a ampliar e fortalecer as modalidades esportivas com armas de pressão. Seu proprietário é Tse I (Dino) Liao, um chinês nascido em Taiwan e apaixonado praticante de Tiro esportivo (ver entrevista neste artigo). Nos nossos contatos ele se mostrou muito atencioso e forneceu inúmeras informações sobre o crescimento do Field Target, além de orientar quanto aos importadores e comerciantes em evidência, que estão crescendo junto com as modalidades de tiro com armas de pressão. Esse contato mereceu uma visita in loco à Curitiba, em agosto de 2009, para ver de perto as lojas de destaque de Curitiba e a comunidade de atiradores que lá estão praticando o Field Target. Nesse meio tempo, recebi via Correios um exemplar de carabina BAM para experimentação.

 

RAPIDEZ E ORIGENS

Pode até existir quem discorde, mas acredito que um dos principais elementos que cativa nesse segmento de armas de pressão é a rapidez, seja ela na obtenção da informação, na compra e remessa do produto e na sua imediata utilização. Nos preparativos para a elaboração deste artigo, duas ferramentas foram importantes para agilizar a coleta de informações e obtenção do exemplar para os testes: a Internet e os Correios. Fiz a maioria dos contatos e entrevistas via e-mail, onde pude demorar nas questões sobre o importador, produtos comercializados, empresa produtora, etc. Pela Internet também obtive muitas informações sobre a modalidade de Field Target e o mercado internacional de armas de pressão. Após a definição do produto a ser testado e feito os primeiros contatos com a Ar+, pude receber, via SEDEX, alvos, componentes e acessórios, isso em questão de horas após o pedido. Isso evidencia um novo panorama de compra e remessa de mercadorias, pois essa agilidade praticamente tira parte da obrigatoriedade de se visitar uma loja “real” de paredes e tijolos, embora não seja um substituto.

 

A Internet também me auxiliou a conhecer mais sobre a fábrica chinesa que, estando do outro lado do mundo, desconhece o mercado brasileiro e suas possibilidades. A BAM está sediada na grande cidade de Wuxi, que se localiza ao sul da Província de Jiangsu, as margens do Grande Canal Jinghang. Estando aproximadamente a 128 quilômetros ao oeste de Xangai, com uma população aproximada de 2.2 milhões de habitantes, essa cidade é habitualmente chamada por "pequena Xangai". A história de Wuxi tem mais de 3.000 anos, sendo uma das cidades mais antigas da China e base da moderna indústria nacional chinesa. Chamava-se antigamente de Youxi, que significa "tem muito estanho" em chinês mandarim. Depois que a mina de estanho esgotou em 25 DC, ficou com o atual nome de Wuxi, o que significa em chinês "sem estanho". Mas outros historiadores discordam dessa versão. Independentemente da controvérsia, Wuxi é uma das origens importante para a Cultura Wu, que dominou a região do rio Yangtze Sul desde então.

 

A BAM principiou suas atividades industriais em Wuxi em meados de 1965, sendo inicialmente chamada de ARSENAL ESTATAL no 971. Com 1.100 funcionários, sua produção era concentrada em fuzis militares tipo AK, SKS e pistolas semi-automáticas Modelo 64, uma arma de porte baseada na pistola alemã Walther PPK e na soviética Makarov. Com o “esfriamento” da “guerra fria” e o fim dos grandes conflitos regionais, tipo Vietnam, Camboja, etc., a fabrica passou a desenvolver produtos destinados ao mercado civil, para aproveitar a mão de obra ociosa. Foi também uma adaptação ao mercado internacional, pois o controle de qualidade e a variedade e acabamento dos produtos tiveram que sofrer progressivo aprimoramento.

 

No começo dos anos 1980, a fabrica foi renomeada como JIANGSU XINSU MACHINERY MANUFACTURING CO, iniciando atividades de fabricação de armas de pressão e espingardas esportivas destinada a mercado civil. Logo no início de 2000, a fabrica sofreu um processo de “desestatização” e obteve sua certificação ISO 9001 no mesmo período. Com isso passou a usar o nome comercial de BAM – Best Airgun Manufacturer, que quer dizer “melhor fabricante de armas de pressão”. No final de 2007, a nova razão social passou a ser “WUXI BAM CO. LTD.”, mas manteve-se mercadologicamente a já estabelecida marca BAM.

 

Com o crescimento da linha de produtos da BAM e sua penetração nos mercados europeu e norte-americano, houve recente interesse de empresas estrangeiras em comprar parte da empresa ou ter seu controle acionário. Essas tentativas foram friamente recebidas pelo governo chinês, que não vê com bons olhos estrangeiros controlando suas empresas de armas, mesmo sendo armas esportivas. Mas a permanência da BAM sob controle chinês fez com que se ampliassem os contratos de fabricação de armas por sistema OEM para outras marcas já conhecidas do mercado internacional. Uma grande porcentagem do que é hoje comercializado com nomes de empresas européias e norte-americanas tem no seu corpo a indicação “Made in China”. Alguns produtos são projetos feitos em outros países e fabricados na China sob contrato, controle e exclusividade; outros produtos são peças de catálogo da BAM que são modificadas a critério do comprador e feitos em partidas especiais. No entanto, a BAM mantém uma linha padrão de armas de pressão, que são cópias de modelos famosos ou produtos baseados em armas já consagradas no mercado. Se observarmos o catálogo da BAM, veremos, por exemplo, que a carabina B19-18 é baseada no Gamo serie Hunter, a B22 é uma versão “Magnum” da B19-18, a excelente B26 é inspirada na robusta Weihrauch HW-95 (ou Beeman R9, já que era fabricada pela Weihrauch para a Beeman), a B30-1 é baseada na famosa Diana-48 e a B50 é uma arma desenvolvida a partir da lendária TX200.

 

É interessante notar que o Brasil é um dos raros mercados onde a BAM apresenta seus produtos com sua própria marca, por conta do empenho nos contatos comerciais da Ar+. Na maioria dos países que compram da BAM, seus produtos são comercializados com as marcas dos seus clientes. Trata-se de uma característica do sistema OEM de produção e uma realidade da globalização nos nossos tempos.

 

Da linha de produtos da BAM, a importadora Ar+ traz ao Brasil armas em três sistemas tradicionais de operação: spring piston de cano basculante, spring piston de cano fixo e modelos PCP – Pré-Charged Pneumatic. Destas, fiz a escolha pelo modelo B30-1 em calibre 4,5 mm, que é uma carabina spring piston de cano fixo, ou seja, uma arma impulsionada por mola, com cano fixo e armada por ação de alavanca lateral. Esse modelo pode ser classificado como arma “padrão magnum”, pois o fabricante alega velocidade inicial de 1.100 fps (335 m/s) com chumbinho diâmetro 4,5 mm. Trata-se de uma arma muito forte e sólida, bem apropriada para atiradores iniciantes que queiram praticar o Field Target com alguma reserva de potência e resistência. O modelo B30-1 também se destaca por ser o carro chefe de vendas da BAM e produto intermediário entre as tradicionais armas de cano basculante e as PCP, mais sofisticadas de emprego.

 

A BAM MODELO B30-1

Ao retirar a B30-1 da sua caixa, é de se espantar com seu peso e dimensões. Com mais de 4.200 gramas e tamanho de fuzil olímpico, não é o que se pode classificar como arma de fácil porte. Mas esse peso tem grande efeito sobre as forças resultantes de sua potência, como eu viria a confirmar nos meus testes. A carabina é bem feita e todas as suas partes revelam robustez, seja pelas soldas, seja pelas peças sólidas de aço e componentes bem ajustados. A configuração geral da arma é quase espartana, sem muitos detalhes de acabamento, mas o conjunto é muito bonito e balanceado. A coronha tem um desenho tipo Monte Carlo, que facilita sobremaneira o emprego com lunetas de aumento. Procurei saber mais sobre o tipo de madeira empregado na coronha, pois esta se mostrava algo diferente das madeiras normalmente vistas em outras armas, com veios muito retos e sem desenhos ou “nós”. Soube que a BAM usa em suas coronha uma madeira conhecida como catalpa, que designa genericamente árvores do gênero Catalpa (família Bignoniaceae), nativas do leste da Ásia, leste da América do Norte e das Índias Ocidentais. O tipo mais comum é a Catalpa Bignonioides C., que produz uma madeira resistente e é uma espécie amplamente utilizada como árvore ornamental.

 

A “almofada” da coronha facilita a posição do rosto do atirador em alinhamento com montagens de luneta. Porém, logo percebi que essa configuração de coronha não ajuda muito no uso das miras abertas. A B30-1 vem com um conjunto de mira abertas com regulagem e insertes coloridos (tipo Truglo), que facilitam o seu alinhamento e visualização em qualquer condição de luminosidade. Mas a altura da “almofada” da coronha dificulta o ajuste do rosto para enquadra as miras, deixando a linha do olho acima do ideal. Além disso, a massa de mira é instalada sobre uma rampa reta, sem possibilidade de ajuste em altura. Vi em modelos mais antigos que a BAM fornecia a massa de mira montada sobre uma rampa em ângulo, o que facilitava o seu ajuste em conjunto com a alça de mira. Fui informado que essa rampa foi modificada para facilitar a linha de produção e que ela não prejudica o uso normal da arma, visto que seu emprego é mais indicado em conjunto com lunetas e não com miras abertas. De qualquer modo, como minha intenção era mesmo experimentar a B30-1 somente com lunetas, retirei as miras para facilitar a instalação da montagem. Como informação a possíveis interessados, fiz uma substituição do parafuso original da massa de mira da B30-1, que é do tipo Philips, por outro parafuso tipo Allen cabeça cilíndrica M4 x 10. Isso dá mais possibilidade de aperto do parafuso sem danificá-lo.

 

Antes de efetuar qualquer disparo, fiz um reconhecimento geral da arma, limpeza do cano com fluído de nafta e alguns ajustes para meu uso, principalmente na parte de gatilho. A BAM B30-1 vem acompanhada de dois pequenos manuais, um em português e outro em inglês. O escrito em português traz informações de segurança e conhecimento das partes básicas da carabina, mas o manual em inglês é que dá dicas de regulagem do sistema de gatilho, que é bem robusto. A B30-1 tem seu engate de embolo composto de um eixo sólido que sai da parte de trás dessa peça. Ao contrário de outros sistemas, como nas armas da Gamo e da CBC, em que o engate do embolo se dá por uma reentrância na parte de baixo do êmbolo, o tipo de engate da B30-1 sobrecarrega menos o sistema de gatilho e possibilita regulagens finas de “peso” de puxada e sua constância em dezenas de disparos consecutivos. O sistema de gatilho da B30-1 tem dois parafusos, um para folga de encosto (estágio) e outro para “peso” de puxada. Utilizando um conjunto da RCBS para ajuste de gatilho (Trigger Pull Gauge), fixei o “peso” do gatilho da B30-1 em 1.000 gramas, nada extraordinário, mas o suficiente para me dar segurança em caso do gatilho “amaciar” durante os testes. Fiz os primeiros disparos “in-door” e pude comprovar que a arma dispara forte (muito forte, alias) e com constância de gatilho.

 

Chegado o momento de instalar a luneta, encontrei um problema: a potência da arma. A luneta que eu tinha intenção de utilizar, uma excelente Tasco de 24 aumentos, muito adequada para armas .22 LR, se mostrava muito frágil para o forte recuo da B30-1. Os primeiros disparos de ensaio “in-door” demonstraram que era muito difícil produzir boas concentrações com o sistema interno de lentes pulando a cada disparo. Armas de pressão sofrem recuo para frente e para traz no momento de disparo (recuo bi-direcional), fruto do deslocamento do êmbolo e de seu impacto no fim de curso. Por esse motivo, as armas de pressão acionadas por mola, principalmente as de “classe magnum”, são famosas por destruir as partes internas da luneta não preparada para esse tipo de arma. Já vi acontecer esse tipo de acidente e não queria perder minha luneta durante as centenas de disparos que desejava dar com a B30-1. Além disso, eu percebi a falta de ajuste adequado de paralax. Armas de pressão atiram em distâncias menores que as normalmente utilizadas em armas de fogo e a maioria das lunetas específicas dessas armas possuem ajuste de paralax que começam a correção para distâncias acima de 25 metros. Como usualmente a distância mínima de disparo com uma arma de pressão é 10 metros, eu precisava de algo que tivesse regulagem de paralax para essa distância e fosse especialmente preparada para emprego nesse tipo de arma. Consultei o Dino Liao da Ar+ sobre meu problema e ele me enviou uma luneta da marca BSA e uma montagem BAM do tipo sólida (ou monolítico), visto que as montagens comuns de duas peças Weaver que eu dispunha não iriam suportar o recuo e o momento de torção da arma.

 

A luneta BSA Air Rifle Series AR312x44 que a Ar+ me enviou é elaborada para suportar o desgaste promovido pelo recuo reverso (ou bi-direcional) produzida pelas modernas armas de pressão “padrão magnum” acionadas por mola. É uma luneta extremamente bem feita, com torres de regulagem com marcações micrométricas e acabamento superior. Posso dizer, sem medo de errar, que é uma das melhores lunetas que já pude experimentar, mesmo a despeito de ser um produto destinado ao uso com “espingardinhas” de pressão. A Ar+ Artigos Esportivos tem planos de importar regularmente essa luneta.

 

Já a montagem sólida, enviada pela Ar+, é modelo da própria BAM e feita especificamente para encaixe em sua armas. Essa montagem possui um pino na parte inferior da armação que se encaixa em furações no trilho da carabina, formando um conjunto bem sólido. Além disso, entendo que esse modelo de montagem é o ideal para armas de pressão. Entre montagens de lunetas com dois anéis e os modelos monolíticos ou constituído de peça única, este último obtém uma área maior de contato com a luneta e mais resistência aos movimentos produzidos pelo recuo da arma. Feita a instalação, o alinhamento e algumas dezenas de disparos para assentamento do conjunto, era hora de partir para o estande de tiro.

 

EM TESTE

Acompanhando a BAM B30-1, vieram também algumas amostras de chumbinho das diversas marcas que a Ar+ importa e representa no Brasil. Assim, eu tinha a disposição, além dos meus próprios chumbinhos Eley e Gamo de desenho diabolo tradicional, latas com amostras da JSB Exact e JSB Exact Express, de desenho diabolo ogival, chumbinhos da marca H&N tipo Field Target (diabolo ogival) e outra chamada H&N Neu Spitz-Kugel, tipo tronco-cônica, e certa quantidade de chumbinhos JSB Straton Diabolo tipo point (com ponta). Os chumbinhos da marca H&R – Haendler & Natermann são considerados um dos melhores do mundo. E o aspecto e acabamento desses chumbinhos realmente valem cada centavo pago pelo produto. Dá pena de usar e raiva de desperdiçar, quando erramos o alvo.

 

Existe uma regra não escrita em que se compensam as diferenças de potência e balística das armas de pressão, em comparação com as armas de fogo. Armas de pressão não possuem a potência e alcance das armas de fogo, mas são até mais difíceis de serem disparadas, com a distinção de que não possuem a velocidade inicial das munições impulsionadas por pólvora e o desenho aerodinâmico dos chumbinhos é algo que se pode classificar como... horrível. Por esse motivo, costuma-se dizer que os desafios para armas de pressão podem ser multiplicadas por 5, para se equipararem às armas de fogo. Assim, escolhi a posição de 20 metros de distância para posicionar os alvos, coisa que daria algo como 100 metros, se a arma fosse propelida por pólvora. Não é uma distância que facilite a vida da B30-1, mas sei que 20 metros é uma das principais distâncias utilizadas na modalidade de Field Target. Além disso, a idéia era mesmo por a prova a B30-1 e saber o quanto de precisão ela era capaz. Como alvos, preparei um desenho de quadriculados medindo 5 x 5 cm. Por local de teste, escolhi meu querido Clube Paulistano de Tiro, localizado próximo ao Horto Florestal, na região norte da cidade de São Paulo. Foi um teste de despedida. O Clube Paulistano de Tiro foi retomado pelo Estado de São Paulo no segundo semestre de 2010 e suas instalações utilizadas para abrigar uma das inócuas secretarias governamentais.

 

Já nos primeiros disparos pude confirmar a boa escolha que fiz pelo modelo de cano fixo, visto que eu desejava usar luneta e obter o máximo possível em termos de precisão. Digo isso porque é fácil constatar que o ato de armar e disparar a B30-1 não resulta num desalinhamento entre cano e luneta. Armas de pressão com cano basculante (break-barrel) podem ser tão precisas quanto armas de cano fixo, graças ao melhoramento das formas de fabricação e desenhos de fixação e travamento de canos. Porém, uma arma de cano fixo sempre terá um padrão de precisão superior, principalmente quando se emprega lunetas de aumento. Isso se dá pelo relacionamento entre o cano e o corpo da arma, onde se instala as montagens e a luneta. Numa arma de cano basculante existe a possibilidade de o cano ficar trancado em posição diferente a cada operação de municionamento. Além disso, muitas vezes o cano de uma arma basculante nem sempre está alinhada com o corpo da arma (onde se fixa a luneta), forçando um ajuste maior com a luneta para o correto alinhamento. Armas de pressão com cano fixo não tem esse problema de alinhamento de cano e uma luneta pode aumentar sobremaneira a capacidade da arma em atingir alvos distantes com muita precisão.

 

O procedimento para armar e disparar a B30-1 é fácil e interessante, mas possui alguns macetes, de forma a facilitar o trabalho de se colocar o chumbinho na entrada do cano e fechar a janela da câmara. Inicialmente, deve-se puxar a alavanca lateral até ouvir o primeiro clique da trava do ferrolho. Essa trava serrilhada, instalada na parte de baixo da câmara e liberada por uma pequena tecla na lateral esquerda da arma, é o “anjo da guarda” dos dedinhos do atirador. Se, por um acidente, o êmbolo for liberado enquanto a janela estiver aberta no ato de se colocar o chumbinho, a trava tem a função de salvar os dedos do atirador de serem presos (ou cortados) pelo êmbolo e sua mola. Ao se puxar a alavanca até o primeiro clique da trava, o êmbolo não ficará armado e sua mola não estará completamente pressionada, resultando em menos pressão no sistema e maior segurança para o atirador. Nessa situação, a janela da câmara já se apresenta aberta e o chumbinho pode ser colocado no início do cano sem maiores perigos.

 

Para completar o carregamento da arma, basta puxar o restante do curso da alavanca, acionar o liberador da trava de segurança e fechar a janela da câmara ao retornar a alavanca à sua posição inicial. O acionamento da alavanca até o fim exige algum esforço, pois a mola é muito forte. Mas com certo treinamento logo se pega o ritmo e o ato de armar a B30-1 torna-se quase mecânico.

 

Iniciei a bateria de teste calibrando a luneta com o chumbinho Gamo diabolo de competição. As concentrações foram, em geral, boas, embora um ou outro disparo saísse do agrupamento, evidenciando “bater de lado” com sua parte da “saia”. Esse fato apresenta algumas considerações. A primeira delas é quanto ao tal “padrão magnum”, pois armas que disparam chumbinhos a mais de 1.000 fps sacrificam muito a constituição dos seus projéteis. A aerodinâmica do chumbinho tipo diabolo, como já descrevi, é horrível, com um desenho chato na sua ponta e que corta mal o ar. Saindo a velocidades acima de 1.000 fps na boca da arma, muitos desenhos produzem uma turbulência na cabeça do chumbinho que podem desestabilizá-lo antes de chegar ao alvo. Chumbinho com cabeça ogival, troco-cônica ou pontuda aparentemente tem maiores vantagens em armas de pressão “padrão magnum”.

 

Outro ponto a se discutir é o desenho da “saia” do chumbinho diabolo, que pode ser deformada pela enorme pressão enviada pelo êmbolo, principalmente se o chumbo for muito mole, como parece ser os chumbinhos destinados ao tiro de precisão. Por último, vale considerar o peso específico dos chumbinhos, visto que projéteis um pouco mais pesados conseguem se dar melhor em armas de pressão de grande potência, sofrendo menos deformações e menos turbulência aerodinâmica.

 

Aqui cabe uma observação. Muito da imprecisão com chumbinhos leves em arma de pressão “padrão magnum” decorre justamente das altas velocidades iniciais, acima de 1.000 fps. Os fabricantes anunciam as velocidades de suas armas, mas não divulgam qual o peso do chumbinho empregado e nem se esse disparo sai louco, sem precisão. Na competição mercadológica entre armas muito semelhantes, diversos fabricantes utilizam chumbinhos extremamente leves nas apresentações promocionais para destacar a potência e categoria de seus produtos. Invariavelmente, esses chumbinhos não são o que há de melhor para essas armas, em termos de precisão, energia e retenção de velocidade. Assim, ao saber que determinada arma é capaz de disparar a 1.100 fps, deve-se entender que essa velocidade serve mais para categorizar esse produto como “padrão magnum” e que o bom resultado final só se dará após a experiência com chumbinhos mais pesados e lentos. Em resumo: 1 - velocidade não é tudo em relação a armas de chumbinho e 2 - não acredite em toda propaganda que aparece.

 

RELAÇÃO CUSTO X BENEFÍCIOS

Com a arma já ajustada com o chumbinho Gamo diabolo, passei a experimentar o chumbinho JBS Exact e, com certa surpresa, vi que o agrupamento saiu à direita e abaixo das concentrações antes obtidas com o produto da Gamo. Esse fenômeno ou característica já era esperado, mas a diferença foi muito notável, com um deslocamento de quase 15 cm de uma concentração para a outra. Esse é um reforço para que o proprietário de uma arma de pressão teste muito tipos de chumbinhos para saber como sua arma se comporta e qual produto se ajusta melhor ao seu equipamento. Lembro que cada arma de pressão é única, diferente de outra de mesmo modelo, procedência e lote. Isso se dá pelas diferenças entre ajuste de peças, tolerâncias, formação do raiamento e polimento de cano. Assim, um chumbinho excelente numa determinada arma pode ser desapontador em outra arma de mesmo modelo.

 

Ao continuar com os testes da B30-1, percebi o quanto esse tipo de arma é exigente. Ao contrário da armas de fogo, arma de pressão não tem um recuo único para trás, fazendo mais um movimento de “ondulação” bi-direcional e para os lados. Essa característica ocorre pelo deslocamento do êmbolo dentro da arma, efeito que deve ser entendido e acompanhado pelo atirador, mas não anulado. Se o atirador tentar fazer uma empunhadura forte da arma, o resultado serão disparos irregulares no alvo, principalmente em distâncias maiores. O correto é fazer um posicionamento e uma empunhadura tal que seja possível de ser repetida em todos os disparos, de forma que a arma vibre sempre do mesmo jeito, sem ficar solta e sem pressões desequilibradas. Para atirar adequadamente com a B30-1 e em muitos disparos, tive que adotar uma posição tipo “benchrest” e fazer uso de um apoio especial para armas longas, de forma evitar que o cansaço e a falta de concentração pudessem interferir nos agrupamentos.

 

Ao chegar à etapa de testes com as amostras da H&N, pude comprovar no papel (do alvo) que essa linha de chumbinhos vale seu preço. Com o chumbinho H&N tipo Field Target era possível observar um bom padrão de agrupamentos e facilidade de ajustes finos com a luneta. O chumbinho JSB Exact Express também se mostrou algo preciso e constante. Não por coincidência, os chumbinhos H&N Field Target e o JSB Exact Express foram os mais lentos entre os testados e possuíam igual desenho e peso.

 

Da esquerda para a direita: Eley Match, El Gamo Competição, JSB Exact Express, H&N Field Target, JSB Straton, JSB Exact e H&N Spitz-Kugeln

 

Uma ressalva deve ser feita ao chumbinho H&N Sptiz-Kugeln, que obteve concentrações um pouco espalhadas. Aparentemente, a B30-1 testada não se deu bem com esse chumbinho, o qual, embora muito constante em precisão, não “fechava” o agrupamento, talvez por conta do seu tipo de desenho aerodinâmico. Os chumbinhos tipo diabolo clássico foram bem, mas teimavam a apresentar um ou outro disparo desgarrado, evidenciando a preferência da B30-1 por projéteis um pouco mais pesados e de desenho diabolo ogival. Porém, acredito que com uma maior variedade de chumbinhos seria possível encontrar um que “case” perfeitamente com esse exemplar da B30-1, produzindo uma combinação ideal de precisão, constância e potência.

 

Após várias seções de tiros com a BAM B30-1, a sensação no meu ombro direito era de que tinha testado uma carabina de fogo central, tipo .357 Magnum ou algo próximo, tal o efeito que o recuo da arma deixou. É realmente uma arma forte, de potência e precisão. E seu peso e desenho de coronha auxiliam muito no controle dos recuos. Nota dez para o sistema de montagem de luneta, que suportou as centenas de disparos, só requerendo um aperto de parafusos entre seções como garantia de fixação. O encaixe entre corpo metálico da arma e sua coronha se mostrou muito bem ajustado, sendo que não ocorreram folgas entre as partes nem necessidade de apertos de parafusos de fixação durante os testes.

 

Em síntese, posso afirmar que a BAM B30-1 tem muitos predicados que a torna uma opção interessante para a prática de esportes com armas de pressão. Muito robusta, rígida e com um sistema de disparo eficiente, essa arma oferece uma plataforma de tiro estável, até mesmo para o atirador iniciante. Destaque para seu sistema de segurança e para a vantagem de alinhamento entre cano e corpo central, detalhe que possibilita o emprego de lunetas e amplia os limites de uso da BAM B30-1. Enfim, é um produto com excelente relação custo x benefício, uma boa opção entre as importadas, bem adequada para expandir esse interessante segmento de armas de pressão.

 

Dados principais da luneta utilizada nos testes

Marca

BSA

Modelo

Rifle Scope AR312X44 (Air Rifle Series)

Aumento

Zoom de 3 a 12 vezes

Diâmetro da objetiva

44 mm

Distância ideal do olho

7,62 mm (3”)

Ajuste de paralax

A partir de 9,14 metros (10 yds)

Diâmetro do tubo

1”

Peso

558,48  gramas (19.7 oz)

Comprimento total

35.56 cm (14”)

Objetiva

Regulável

Distância mínima de foco

9,14 metros (10 yds)

Ajuste

¼ MOA para elevação e lateralidade

 

Chumbos testados

Marca

Formato

Peso médio real

Velocidade inicial

Agrupamento médio a 20 m

Eley Match no 1

Diabolo

7.22 gn/0,468 g

906 fps/276,1 m/s

27mm

JSB Exact (4,51mm)

Diabolo ogival

7.82 gn/0,507 g

789 fps/240,5 m/s

28mm

El Gamo Competição 4,5mm

Diabolo

7.83 gn/0,508 g

875 fps/266,7 m/s

29mm

JSB Straton Diabolo

Diabolo pontudo

8.24 gn/0,534 g

875 fps/266,7 m/s

30mm

JSB Exact Express (4,52mm)

Diabolo ogival

8.34 gn/0,541 g

831 fps/253,3 m/s

23mm

H&N Field Target

Diabolo ogival

8.36 gn/0,542 g

836 fps/254,8 m/s

21mm

H&N Spitz-Kugeln

Diabolo pontudo

8.45 gn/0,548 g

867 fps/264.3 m/s

32mm

 

Ficha técnica

Nome da arma e modelo

BAM B30-1

Tipo

Carabina de pressão com cano fixo

Sistema de operação

Mola com acionamento por alavanca (spring piston)

Calibre

4,5 mm (.177”)

Capacidade

monotiro

Peso vazia

4.263 gramas

Peso com luneta BSA

4.930 gramas

Comprimento total

1130 mm

Comprimento do cano

440 mm

Miras

Mira traseira com regulagem micrométrica e insertes coloridos; mira frontal com inserte colorido montada sobre trilho

Coronha

Madeira

Raias (numero e passo)

10 à direita

Velocidade inicial

1.100 fps (declarado)

Cadência de tiro (s/n)

---

Acabamento

Oxidado

Obs.: Possui gatilho com regulagem de “peso” e arrasto.

 

Quadro estatístico de avaliação

Nome da arma e modelo

BAM B30-1

Peso

8

Ergonomia da empunhadura

8

Distribuição total de peso

8

Enquadramento de miras

6

“Peso” do gatilho

7

Recuo

9

Precisão 10 metros

10

Precisão 20 metros

9

Sistema de segurança

10

Praticidade do “design”

9

Robustez

10

Acabamento

8

MÉDIA

8,5

*Valores: 1-3 ruim; 4-7 aceitável; 8-10 bom.

 


Texto inédito escrito originalmente para a Revista Magnum.