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Projéteis Dum-Dum?

por José Joaquim D'Andrea Mathias


 

Dum-dum ou dundum é o nome coloquial para os projéteis de armas de fogo que possuem a capacidade de se fragmentar ou expandir durante o impacto, aumentando assim a transferência de energia e consequentemente o stopping power (em português, "poder de parada").

 

Criados no final dos anos 1890 no arsenal de Dum Dum, perto de Calcutá, na Índia, esses projéteis foram condenados pela Convenção de Haia de 1899 por motivos humanitários: a dundum se estilhaça ou expande dentro do corpo do indivíduo atingido, provocando, quando não mata, mutilações e dores lancinantes. Esses efeitos normalmente não ocorrem com projéteis de munição comum, sólidas e sem capacidade de expansão.

 

Desde a Convenção e Haia os projéteis chamados de expansivos são proibidos para uso militar, mas tem grande utilização no meio de defesa pessoal e também em caça amadora. Muitas forças policiais fazem emprego desse tipo de projétil. Foi utilizada, por exemplo, pela Scotland Yard para matar, por engano, o eletricista brasileiro Jean Charles de Menezes, durante uma desastrada operação anti-terrorista, concluída numa estação do metrô de Londres.

 

No Brasil, sua utilização por algumas forças policiais também é permitida, pelo seu maior "poder de parada", pois teoricamente é possível neutralizar o oponente agressivo com menos disparos. A Polícia Militar está impedida de usar esse tipo de munição em razão das características militares dessa força.

 

As balas dundum que foram criadas pelo arsenal inglês de Dum-Dum tinham nas suas primeiras versões um furo na parte frontal ou um corte em cruz. A idéia era forçar o projétil se abrir ou estilhaçar no corpo atingido, descarregando no processo parte de sua energia. Na época em que foram idealizadas, os ingleses dominavam a Índia e eram constantemente atacados por guerreiros fanáticos, que continuavam avançando mesmo com vários disparos no corpo. A munição dundum foi, então, uma experiência desesperada e feliz de dar mais impacto e eficiência às fracas munições de arma de porte da época.

 

Atualmente existem versões comerciais muito evoluídas e especializadas, tais como a Hydrashok da Federal, Gold da CBC e Silvertip da Winchester. Pontas expansivas viraram, nos dias de hoje, sinônimo de munição de defesa ou de alto desempenho. Sua designação oficial é munição de ponta oca (hollow point) ou ponta expansiva. O principio de funcionamento baseia-se na dinâmica de fluidos: após penetrar no meio (aquoso ou gelatinoso) é criada uma zona de pressão no interior da concavidade do projétil, que força as extremidades (bordas) da ogiva para fora, fazendo "aflorar" o projétil. Dessa forma, não ocorre a transfixação do alvo e quase toda a energia do projétil é transferida imediatamente ao corpo atingido.

 

As modernas munições possuem projéteis que se expandem com eficiência, mas também com controle. Assim, esses projéteis podem manter parte de sua capacidade de penetração, com intenção de causar mais impacto no interior do corpo atingindo.

 

Outro tipo de munição muito utilizada e com funcionamento oposto às munições expansivas é o FMJ (full metal jacket), conhecida também como encamisada total ou jaquetada. Esta munição possui um núcleo de chumbo revestido com uma casca de metal maleável, geralmente ligas de latão ou cobre. Apesar de ter uma penetração maior, mesmo em alvos blindados, projéteis encamisados não têm o mesmo poder de parada das expansivas. As munições FMJ também são menos seguras para o uso policial ou em defesa pessoal, pois são altamente transfixantes e, após atingir o oponente, podem ferir outras pessoas.

 


Texto baseado em material da Wikipedia, ampliado e corrigido em sua terminologia, português, histórico e conceito.